sábado, 24 de junho de 2017

Sobre Teorias de Domínio e outras coisas patéticas e crueis

Primeiro vieram
com a Teoria
imoral e truculenta
do Domínio de Fatos

Onde você
se não sabia
deveria se dar conta
da nova pós-verdade

Nela pobres são abstratos
pretos são quase humanos
putas são quase mulheres
honestos são muito chatos

Depois disto
desta teoria abjeta
hedionda cretina
a camarilha projeta

E injeta
já empossados
num golpe
medíocre

Nada mais natural
nada mais normal
nada mais marginal
nada mais banal

Vemos estupefatos
a efetivação real
da Teoria sob
o domínio dos ratos

ratos roem pessoas
roem ratos também
roem roem roem
ratos arrotam amém.

É isto aí!

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Odete, a fiel depositária do Paranoá

Seis horas da manhã, já em pé, nos preparativos iniciais do rito diário, meu indefectível Nokia 2004 toca placidamente anunciando Odete no outro lado da célula. Conta a lenda que de certa feita determinada locomotiva socialite da mais alta casta dos corruptos do bem deu uma festa imperdível, e no meio de uma afinadíssima orquestra mandando metal em Blue Velvet, surgiram duas caixas douradas no centro do evento. 

A caixa um abriu-se e saíram propinas missionárias paramentadas ao nível puritano máximo e da caixa dois saiu a propina Odete, somente com plumas coladas por sobre as costas, feito asas angelicais, portando um cartaz que dizia - há mais transparência no caixa dois do que no um. Aplausos, delírios, gritos, hurras - Riram-se aos borbotões os corruptos do bem, dado à coerência convicta da propina transparente do caixa 2.

Odete!!! Adoro te ouvir antes de começar minha rotina ...

Ai ui ai ui amore, desculpe, é que Asuncion, minha pedóloga stripper da República Guarany está me dando ai ui ai ui uma assistência domiciliar, ai ui ai ui, digamos assim ...

Pedóloga stripper paraguaya? Não seria podóloga? Como é isto, Odete?

Não dá para explicar, ai, pelo smartphone, amore, ui, vem aqui, ai,  que te faço, ui, uma demonstração, ai, ...

Tudo bem, tudo bem ... mas a que devo a honra de ouvir sua voz, Odete?

Amore, como sabe, eu só falo sob fontes honestas. Asuncíon, minha pedóloga stripper acabou de me revelar que dia destes estava fazendo um triplo carpado pool party flex na esposa do empresário de alto fausto Dr. Fulano, enquanto este recebia para conversas formais, informais, deformadas e esquisitas de interesses privados os mais respeitados membros de bem do egrégio poder público da pátria amada idolatrada salve salve. 

Triplo o que?

Amore, não me interrompa, venha a Brasília e tudo será criado e renovaremos o céu e a terra, jorrando leite e mel, ai ui ai ui ...

Desculpa, Odete ...

Tudo bem, amore. Tudo bem ... então, onde eu parei? Ah, sim! Enquanto Asuncion prosseguia com seus métodos terapêuticos, aproximou-se dela a Querubinha, uma ex-super stripperdeuta da Coordenação de Áreas Ponderáveis ...

O que faz uma stripperdeuta em Brasília, Odete?

Pelo amor entre minhas coxas roliças e seu coração provinciano, não me interrompa. Venha para Brasília que eu te encaixo nestas questões todas, mas só euzinha, hem ... nada de se empolgar com estas vagabundas do planalto.

Foi mal, pode seguir ...

Então, esta coordenadoria de áreas ponderáveis é chefiada pelo Dr. Bigode, subalterno obsessivamente dedicado da Gostosinha do Reitor (aquele mesmo), ocupante por meritocracia da Gerência de Modus Operandis de Panos Quentes. Está me acompanhando, amore?

Sim, Odete, estou atento.

Ai, que lindo, amore. Bem, a Gostosinha do Reitor vinha dando bem para e com o Dr. Panamá Pappers, um chapeleiro maluco da Seção de Critérios Plausíveis, que por sua vez subordinava-se numa relação CID F65.5 com a chefe da Divisão de Desvios de Conduta Plena, ligada por canais, cabos e fios à Secretaria de Assuntos Estratosféricos do Ministério dos Homens de Bem, cujo ministro é o senhor Arcano Felino, amigo do amigo do amigo do amigo do senador Trilano, sócio do senhor Fulano.

Desculpa, Odete, mas o que é um CID F65.5?

Ah, amore, não dá para explicar, pois tem muuuuitas nuances, mas consulte o básico aqui .

Uau, Odete, dei uma olhada rápida ... que coisa, hem ... quem diria isto acontecendo na esplanada dos mistérios ...

Amore, para de babar e foca em mim. Então! Querubinha disse que tudo começou quando o senador Trilano queria abrir uma caixolândia para servir caixas aos mais necessitados, pois tem amigos fora das luzes furnas, na região do escuro, de coração duro e alma abalada e habitam o mundo das sombras, em cavernas escondidas, onde a luz da vida foi quase apagada ...

Odete, isto aí não é Gilberto Gil não?

Credo amore, você não sabe que em certas situações, a vida imita a arte? Foca, amor, foca. Revendo, melhor, recapitulando - o Senador Trilano, cuja alcunha no submund é  Game-Over do Leblon, queria abrir uma caixolândia, e contratou o amigo, que contratou o amigo que contratou o amigo do Ministro dos Homens de Bem.

Interessante ...

Pois é ... daí, o amigo do amigo do amigo para não segurar aquelas caixas escondido, levou a questão para o Ministro dos Homens de Bem.  Só que o Ministro dos Homens de Bem, com sua postura felina angorá não faz nada sozinho-sozinho. Imediatamente, mediante 12,5% sobre o lucro bruto, encaminhou a encomenda à sua Secretaria de Assuntos Estratosféricos, e foi assim então que o assunto circulou secretamente entre os homens de bem e chegou até a superstripperdeuta Querubinha executar, pois ela era a faz tudo sem questionar o mérito, mas com convicção.

Então, Odete, se tudo fluiu, como a casa caiu?

Amore, o rabo do felino angorá é imenso, e isto provoca nele uma extrema devoção de fidelidade a um só deus, o césar da roma brasiliana, o terrível, o temível, o invisível sim .., ele mesmo, o Usurpador de Penicos. E este, o usurpador, tem uma boca deste tamanho - pediu 80% do faturamento da Caixolândia para garantir despesinhas domésticas com a bela e recatada e herdeiros. O senador Trilano Game-Over puxou de cá, o Usurpador de Penicos puxou de lá até que a corda da fossa arrebentou e fedeu prá todo mundo, a ponto do genro do felino angorá receber bosta privada em envelope público.

Uau, Odete, agora vi a luz ...

Ai, amore, vem me terrrrr em Brasília, vem amore, vem me fazerrrr feliz por que te amo ...

Humm, sabe Odete, eu ... alô, alô ... droga, logo agora que eu ia dizer sim a bosta caiu na rede tum tum tum ploft.

É isto aí!




quinta-feira, 22 de junho de 2017

Aqui não!!!!

Tarde fria, vento gelado, cachorro na rua, meninos pelados nas calçadas, mães trocando receitas com as comadres e foi neste cenário, no interior do interior do interior de Pindorama que Cotinha desceu a ladeira esbaforida, batendo seu tamanquinho gasto até chegar na venda e disse alarmada - pai, mãe, estão vendendo tudo com a gente dentro. Dito assim, subiu a ladeira no mesmo galope que desceu.

Foi aquela correria ladeira acima. Seguiram a menina todos que estavam a beber e jogar dama, as beatas da igreja, o barbeiro, o farmacêutico, dois únicos policiais do corpo de segurança do município, um vereador bêbado, duas meninas da Casa da Luz Vermelha, os velhos dos tabuleiros de dama, as lavadeiras do Córrego Alto, duas balconistas do Salim, três cachorros latindo e uma pecha de meninos pelados gritando sem parar.

Lentamente, atrás, deslocava-se Dona Genara, gorda de pernas curtas e seios fartos arfando desesperadamente em busca de fôlego para acompanhar a multidão que acompanhava Tavinho, um homem esquelético, de face lisa e cara porca com o qual se ajuntou há seis anos, quando já tinha Cotinha, gerada de um romance de rodoviária..

Chegaram na casa, na verdade um barracão decente, sem as grandezas de uma casa e sem as pequenezas de um cafundó feito os das Oleiras, na saída para o Brejo do Turco.

- Cadê, Cotinha, cadê os homens que estão comprando tudo aqui?

- Ali, ó, disse apontando o dedo da mão com unhas imundas para o antigo aparelho de TV.

- Ali onde, peloamordedeus, Cotinha, disse a  multidão desesperada ...

- Este homem aí, dentro da televisão, escuta só, ele está falando que o sei lá, o ladrão lá, esqueci o nome, aquele velhinho, está vendendo o Brasil com a gente dentro.

- Genara, já soltando o coração pela boca, vermelha feito pimentão, suando bicas, gaguejou quase sem ar para Tavinho - amor, passa urgente uma mensagem para o João Manoel, seu primo, agora, no atzap.

- Genara, meu bem, o João Manoel mora em Portugal ...

- Então, Tavinho, é a nossa chance, vai que eles compram e começam do zero ... passa meu bem, passa, e diz para ele buscar as autoridades galegas mais depressa possível, que aqui não entra gringo não, aqui não, Tavinho, aqui não, gritou batendo a mão direita no muque esquerdo ...

E o povo saiu carregando Genara, a nova heroína, suspensa por dezenas de braços, aclamada, em procissão carnavalesca pelas ruas da cidade.

É isto aí!

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Erro de português (Oswald de Andrade)


Quando o português chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena! Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.

terça-feira, 20 de junho de 2017

O Conde, o Príncipe e o monopólio da força

Subi na Colina do Bom Senso da terra guarany, circunvizinha do reino da Pitangueira, e o que vi foi como sempre surpreendente. Vejamos algumas destas deslumbrantes manifestações nas aldeias: 

- Tribos riram do descuido de determinado oficial ao divulgar o nome e a identidade de um agente secreto apache.

- Tribos deram gargalhadas ao verificar que o Conde Drácula Usurpador registrou o passeio, digo, a viagem oficial desta semana com destino à União Soviética.

- Tribos deliraram com a vitória de 10X9 numa das comissões do senado, que por hora congelou a incrível e fantástica e inenarrável deforma trabalhista. (não, você não leu errado, escrevi deforma mesmo, com d).

- Tribos chiaram com o adiamento da prisão do playboy sukita do Leblon. 

- Tribos chiaram com a soltura de pessoas detidas por estarem vinculadas ao tio sukita do leblon e associados.

- Tribos deliraram com a denúncia de que o Conde é corrupto, feita por um órgão oficial do governo.

Bem, com a vista já cansada, daqui do alto da colina vejo que as tribos ainda não entenderam que o processo político não é para chiar nem para delirar, nem para aplaudir, nem para vaiar. Ainda imberbes e ingênuos acham que política se vence no grito, enquanto os bastidores fazem as peças se moverem. Quais peças? Só aqui citei seis - que sugerem que as partes usurpadoras tomaram duas decisões - só dialogar com vantagens e pressionar os indecisos.

Maquiavel, o autor best-seller do mundo ocidental nunca saiu de moda:

No capítulo 17, defende que é melhor a um príncipe ser temido do que ser amado, mostrando que as amizades feitas quando se está bem, nada duram quando se faz necessário, sendo que o temor de uma punição faz os homens pensarem duas vezes antes de trair seus líderes. Diz também que a morte de um bandido apenas faz mal a ele mesmo, enquanto a sua prisão ou o seu perdão faz mal a toda a comunidade. O líder deve ser cruel quanto às penas com as pessoas, mas nunca no caráter material; "as pessoas esquecem mais facilmente a morte do pai do que a perda da herança".

No capítulo 18, Maquiavel argumenta que o governante deve ser dissimulado quando é necessário, porém nunca deixando transparecer sua dissimulação. Não é necessário a um príncipe possuir todas as qualidades, mas é preciso parecer ser piedoso, fiel, humano, íntegro e religioso já que às vezes é necessário agir em contrário a essas virtudes, porém é necessário que esteja disposto a modelar-se de acordo com o tempo e a necessidade.

Qualquer semelhança não é mera coincidência.

É isto aí!


Traduzir-se (Ferreira Gullar)

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Imagine um juiz que ...

Imagine um juiz que:

(1) julgue em segredo ...

(2) Promova ações na calada da noite ...

(3) esteja envolvido em suborno ...

(4) Não permita defesa ao réu ...

(5) despreza a exigência de testemunhas ...

(6) utilize testemunho auto-incriminatório contra o réu ...

(7) condena o réu por convicções e sem provas ...

Qual juiz vem à sua mente?
...
...
...
Pense ...
...
...
...
Pense ...
...
...
...
Pense ...

Se você pensou e respondeu Caifás, parabéns! Você é um cristão apto a entender o mundo, agora vá, tua fé te salvou!

É isto aí!

domingo, 18 de junho de 2017

Não toque no meu Brana

Neste final de semana enorme fiquei na Pitangueira cuidando dos papéis, dos aspectos burocráticos do reino e das notícias que povoam a mente poluída dos povos de cá e de lá. Vejamos algumas coisas que pululam no interessante mundo dos vivos e dos espertos:

- Determinado líder de determinada seita falou sem rodeios que o seu deus castigou um cidadão que trabalha para outro líder de outra seita. Parece coisa de vodu. Aqui da Pitangueira, corre a boca pequena que supostamente o cidadão alvo do trabalho do deus da seita do castigo, eu disse supostamente - parece, sugere, tem um jeito discreto de que não é algo assim, digamos, hummm, clínico. Claro, se for verdade, vai daqui nossos sinceros votos de melhora, mas do jeito que a coisa se deu ... hummmm ... sei não, dizem os velhinhos nas praças e nos bancos de dama.

- Determinado líder (rárárá) usurpador de penicos foi acusado por um afinado cantor sertanejo da dupla goiana Fritou&Fritado, de Capo de uma Orcrim. O nome soa a um colchão de mola, mas é uma corruptela aglutinada - na verdade o cantor sertanejo foi educado ao evitar dizer Organização Criminosa. Caramba, como ficam os amigos do líder usurpador de penicos Orcrim? Como será o natal desta gente, suas férias legítimas em Aspen, suas amantes caras e suas orgias pagãs em Viena? Perguntas ... só perguntas ...

- Falando em amante, famosa doutilóquia histriônica e histérica da pauliceia enriquecida e broxada, meio que incorporada por entidades pouco discretas, veio a público novamente dizer o que faz na privada e lamentou a traição - estão me traindo ... ô dó ... ô dó ... já entrou para a história como um mal desnecessário ao bom sentimento nativo.  

- Já que toquei em sentimento nativo, querendo falar de Kafka,o djênio game-over do Leblon confessou às paredes que agora é um objeto tipo kafta, já que vive momentos kaftanianos. Rárárá. É provável que nunca tenha lido Kafka, mas como tem um pé nas montanhas e o resto todo na zona sul, deve achar que Kafta deve ser a mesma coisa só que diferente, feito um pão de queijo. Deve ser delírio de abstinência de Kafta com Queijo - 1 kg de carne de carneiro moída / 1 cebola de cabeça / 5 dentes de alho descascados / 1/2 xícara de azeite (virgem) / sal a gosto / pimenta-do-reino a gosto / 5 folhas de hortelã / 7 folhas de alfavaca (vaca lembra boi, boi lembra fri opa, olha o kafta entrando) / 250 g de bacon moído / 500 g de queijo (mussarela, prato ou parmesão).

E quanto ao título - Não toque no meu Brana? Dever de casa para a plebe rude, mas para a Física Quântica o Brana é apenas a décima dimensão da Teoria das Cordas, que não permite a transação maluca entre universos, constituído de uma espécie de veda-plastico para isolar estes universos entre entre si. Se cada um de nós somos o nosso universo, temos nosso Brana a nos lembrar que nosso direito termina onde começa o do próximo, com certeza.

É isto aí!

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Billy Paul - Me And Mrs. Jones (1972)


Me And Mrs. Jones

Me and Mrs. Jones
we've got a thing going on
We both know that it's wrong
but it's much too strong
to let it go now

We meet every day
at the same café
6: 30 I know - I know she'll be there
Holding hands, making all kinds of plans
while the jukebox play our favourite song

(Chorus)
Me and – Mrs. Jones, Mrs. Jones, Mrs. Jones

we've got a thing going on
We both know that it's wrong
but it's much too strong
to let it go now

We've gotta be extra careful
That we don't build our hopes up too high
'Cause she's got her own obligations
and so – and so do I

(Chorus)
Me and – Mrs. Jones, Mrs. Jones, Mrs. Jones
we've got a thing going on
We both know that it's wrong
but it's much too strong
to let it go now

Well it's time for us to be leaving
It hurts so much - it hurts so much inside
Now she'll go her way
And I'll go mine
Tomorrow we'll meet the same place –
the same time

(Chorus)
Me and – Mrs. Jones, Mrs. Jones, Mrs. Jones

we've got a thing going on
We've gotta be extra careful
We can't afford to build our hopes up too high

I wanna meet
and talk with you
at the same place
the same café
the same time
And we're gonna hold hands like we used to

We're gonna talk it over, talk it over
We know, they know, and you know and I know
that it was wrong
But I'll make it strong
We've gotta let 'em know now
We've got a thing going on
thing going on

Eu e a Sra. Jones
Tem algo acontecendo
Ambos sabemos que é errado
Mas é muito forte
Para terminar agora

Nos encontramos todo os dias
No mesmo café
6: 30 - Eu sei que ela estará lá
Segurando as mãos, fazendo todos os tipos das planos
Quando o jukebox toca nossa canção favorita

(refrão)
Eu e Sra. , Sra. Jones, Sra. Jones, Sra. Jones

Tem algo acontecendo
Ambos sabemos que é errado
Mas é muito forte
Para terminar agora

Nós precisamos ser mais cuidadosos
Para que não tenhamos esperanças demais
Porque ela tem suas próprias obrigações
e eu também

(refrão)
Eu e Sra. , Sra. Jones, Sra. Jones, Sra. Jones
Tem algo acontecendo
Ambos sabemos que é errado
Mas é muito forte
Para terminar agora

Bem, está na hora de nós irmos
E machuca tanto, machuca tanto por dentro
Agora ela vai seguir seu caminho
E eu seguirei o meu
Mas amanhã nos encontraremos no mesmo lugar
Na mesma hora

(refrão)
Eu e Sra. Jones, Sra. Jones, Sra. Jones

Tem algo acontecendo
Nós precisamos ser mais cuidadosos
Para que não tenhamos esperanças demais

Eu quero te encontrar
E conversar com você
No mesmo lugar
No mesmo café
Na mesma hora
E segurar as mãos como sempre

Vamos levar isso adiante, adiante
Nós sabemos, eles sabem, você e eu sabemos
Que é errado
Mas fizemos isso ficar forte
Temos que deixá-los saber agora
Que há algo acontecendo
Algo acontecendo... 

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Papo de Esquina XXXVIII

- Querem prender o senador!

- Também querem fechar a Petrobrás ...

- E fechar também as universidades públicas, os hospitais-escola, os bancos públicos, as grandes empreiteiras, a indústria naval, o carnaval, a cultura ...

- Então o senador é só uma cortina de fumaça, um truque ilusionista? Depois desta vou para casa chorar na cama que é mais quente e, bem ... já é tarde. 

É isto aí!

quarta-feira, 14 de junho de 2017

O adeus dos dois avessos

Um verso triste
não tem palavras
nem lágrimas
nem você nem nada

sou poeta avesso
na dobra d'alma
guardo sua versão
do meu sofrer

a palavra pronta
a resposta rápida
o perdão perdido
depois o adeus

Eu te amei
em tanto
e tão intenso
sentimento

que te chamo
avesso de minh'alma
parte perdida
dentro de mim.

Não volte nunca
ao que acabou
Comece ontem
Um novo amor.


É isto aí!

terça-feira, 13 de junho de 2017

Odete, a pitonisa das chamas do Paranoá


Meu Nokia dispara a vibrar por sobre o criado mudo, e me desperta às três horas da manhã. Custo a achar os óculos e vejo na tela o nome da pitonisa da ditadura, a outrora deusa da minha rua - Odete. Reza a lenda que em tempos áureos do poder dos bacabais, Odete divertia a trupe desgovernada com projeções das ditaduras. De certa feita, um senhor no limite entre a senilidade e a temperança, acreditou de tal maneira no poder da moça que providenciou um modelo anatômico em PVC que promoveu sua ida à emergência médica.

Odete, que prazer ouvir sua voz ...

Uau, era tudo que precisava fazer para meu deleite noturno, amore!

Pois é, Odete, você me apraz, e além disto a que devo a honra da sua ligação?

Então, amore, como sabe eu sempre digo o que sei através de fontes confiáveis e confidenciais para os outros, menos para você, que é meu amor e confessor, tudo junto e misturado.

Pode falar, sou todo ouvidos, mas antes fale sobre aquela lenda do poder dos bacabais ...

Nossa, foi a tanto tempo,amore! Bem, bacabais são frutos das bacabeiras, aquelas palmeiras imensas, eretas que só dão em mata virgem ...

Ah! É que eu achava que estava errado a grafia, mas agora clareou. Mas Conte, como vai você, sua vida, sua luta em defesa das moças livres de Brasília?

Nossa, quero você prá mim sempre, até o último momento do último dia da existência! Bem, hoje não tenho muita confidência secreta, mas tenho uma observação pessoal. É que outro dia estava no salão da Cleuza, a Cleuzinha que já te falei dela, casada com o Dudu, que tem um caso com a Jurema, secretária daquele senador de conduta ilibada nas fotos e libidinosa nos fatos com a Jurema e outras e outros pan por aí. Bem, estava euzinha dando uma reparada nos cachos, nas unhas, na pele e no bronze, quando adentrou no recinto aquela moça bela, recatada e do lar ...

Meu Deus, sério? É a que eu pensei que fosse?

Sério, amore, mas ela entrou, olhou para mim, olhei para ela e logo logo partiu sem falar nada e sem dizer adeus. Mas ficou aquele non sense no ambiente, sabe? Um non sense com cheiro de colônia barata tipo um clima de velório no interior em ambiente fechado de noite chuvosa?

Como assim?

Ela tinha ares de viuvex.

Viuvex?

É, amore, viuva de ex isto, ex aquilo, ex qualquer coisa, ex cartão liberado sem cortes, etc etc etc. 

Interessante, Odete, muito interessante.

Interessante amore é você me ter novamente em Brasília, vem amore, vem logo antes que o vento mude o fogo.

Nossa, Odete, assim você me deixa ... alô ... alô ... caramba, o fogo pagou.

É isto aí!

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Brenda Lee - Fly Me To The Moon (Bart Howard em 1954)


Fly Me to the Moon

Fly me to the moon
Let me play among the stars
Let me see what spring is like on
Jupiter and Mars

In other words, hold my hand
In other words, baby, kiss me

Fill my heart with song
And let me sing for ever more
You are all I long for
All I worship and adore

In other words, please be true
In other words, I love you

Fill my heart with song
Let me sing for ever more
You are all I long for
All I worship and adore

In other words, please be true
In other words
In other words
I love you

Leve-me até a lua

Leve-me até a lua
E deixe-me brincar entre as estrelas
Deixe-me ver como é a primavera
Em Júpiter e Marte

Em outras palavras, segure minha mão
Em outras palavras, querida, beije-me

Encha meu coração com música
E deixe-me cantar para sempre
Você é tudo o que eu desejo
Tudo o que eu cultuo e adoro

Em outras palavras, por favor, seja verdadeira
Em outras palavras, Eu te amo

Encha meu coração com música
E deixe-me cantar para sempre
Você é tudo o que eu desejo
Tudo o que eu cultuo e adoro

Em outras palavras, por favor, seja verdadeira
Em outras palavras
Em outras palavras
Eu te amo

Trem-Bala (Música Autoral) Ana Vilela